Eu não estou acostumada a aventuras assim. Ainda me pergunto como foi possível viver tanto, em tão pouco tempo!
Eu
não estava acostumada a ceder rapidamente, à intensidade, aos
cabelos enrolados que eu enroscava em meus dedos, às marcas quadradinhas
do cobertor em minha pele.
Tão atrapalhados que somos, vivíamos a nos interromper, falando ao
mesmo tempo, discordando discretamente, pensando mil vezes antes de
falar e preferindo calar na maioria das vezes.
Nada em comum, tudo incomum.
Como um furacão, você passou e foi embora. Foi para que tomassem seu
lugar, para que eu pudesse finalmente me sentir feliz, sem nenhuma
dúvida do que viria pela frente. E, que pena, nada aconteceu como
pensei. As dúvidas não acabaram, a dor se intensificou. Nunca consegui
me sentir completa. Nunca consegui perdoar. Talvez a culpa seja minha e
só minha. Eu não coloco em dúvida minha parcela de culpa neste caso,
para ser sincera. Apenas tento não me afundar em um poço de
autodestruição.
Por que escrevo isso agora? Nem eu sei.
Talvez porque eu
tenho saudade. Não tanto quanto antes, é verdade. Mas ainda sinto
saudade. Talvez porque sonhei a noite inteira com você. Foi assim: te
encontrei no meio de um supermercado escuro e grande. Esqueci as compras
corri ao seu encontro pedi desculpas não lembro se te beijei. Foi bom.
Seu sorriso fez bem, mas acordei com o mesmo peso no coração, a mesma
falta de ar, os mesmo motivos de ontem para tanto insistir quanto
desistir.
Talvez aquela tenha sido a única vez em que não me preocupei com o
que os outros pensariam de mim. E eu quero viver tudo de novo. Quero a
companhia, a preocupação, o carinho, as ligações que melhoravam meus
piores dias, a ansiedade para brincar de se amar só por um final de
semana, até que a gente se falaria na quarta-feira seguinte para
combinar o sábado próximo. E eu prometo que não vou me perder.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Meu Favorito
Vou te guardar nos meus favoritos, junto aos textos que
nunca vou ler, aos vídeos que nunca vou ver, às músicas que nunca vou ouvir.
Por um tempo, sei que isso vai me incomodar, assim como tudo
o que está lá esquecido, esperando por um pouco da minha atenção.
Mas, com o passar dos dias, perdido em meio a tantos links
quebrados e notícias ultrapassadas, você será apenas mais um arquivo a excluir,
facilmente deletado por um “clique” da razão.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Eu vou vivendo e tentando não fazer tempestade em copo d'água. Por isso,
às vezes me calo. Para não falar demais, para não me expor.
Aproveito esse tempo e reflito, sem má vontade, sobre tudo o que aconteceu. Chego a conclusões e no segundo seguinte mudo de ideia. Isso é comum, é humano. Mas as pessoas não parecem dispostas a compreender que o silêncio, aquele sem a intenção de deixar dúvidas ou machucar, é melhor do que algumas palavras impensadas, das quais a gente vai se arrepender no segundo seguinte, na semana seguinte, ou quando se der conta de que aquela era a última chance de salvar o que a gente tanto amava.
Aproveito esse tempo e reflito, sem má vontade, sobre tudo o que aconteceu. Chego a conclusões e no segundo seguinte mudo de ideia. Isso é comum, é humano. Mas as pessoas não parecem dispostas a compreender que o silêncio, aquele sem a intenção de deixar dúvidas ou machucar, é melhor do que algumas palavras impensadas, das quais a gente vai se arrepender no segundo seguinte, na semana seguinte, ou quando se der conta de que aquela era a última chance de salvar o que a gente tanto amava.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Leve
Ando preocupada. Às vezes, quando estou com você, parece que posso tocar o céu. Tenho medo da altura, tenho medo de me perder, de não conseguir respirar lá em cima.
Então eu só peço que, por favor, mantenha meus pés no chão. Não deixe que eu voe sozinha, não me faça tão leve assim que não possa me segurar junto de você e eu acabe alçando voos mais altos que os seus.
Então eu só peço que, por favor, mantenha meus pés no chão. Não deixe que eu voe sozinha, não me faça tão leve assim que não possa me segurar junto de você e eu acabe alçando voos mais altos que os seus.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Cheers
Tentar esquecer, deixar ir, refazer planos, virar o mundo de cabeça pra baixo, chorar, sorrir, beber até cair, levantar, abraçar o que te faz bem, descobrir outros caminhos, sentir saudade, superar, aprender com os erros, errar de novo, começar mil livros e terminar apenas um, fazer amigos, encontrar velhos conhecidos, sentir saudade de novo, superar novamente, caminhar sem rumo, encontrar motivos para recomeçar, gostar de músicas que antes não tinham graça, fazer coisas que nunca tinha feito, pular sete ondas, acreditar que pode mudar, acreditar que para tudo há uma razão, amar-se, viver com a dor, viver para se curar, simplesmente viver.
"Há vida?"
Há vida.
À vida, um brinde!
"Há vida?"
Há vida.
À vida, um brinde!
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Vai Passar
"Vai passar", eles dizem. E ninguém entende que é esse o problema: vai passar. Um dia vai passar.
Enquanto os ponteiros do relógio giram, os dias vão embora e as semanas se transformam em meses, tudo o que aconteceu vai ficando no passado. E dói. Dói porque em pouco tempo não vai mais ter dor, nem saudade e nem vontade de voltar. Porque, como eles dizem, vai passar.
E aí toda a história, todos os momentos, as músicas, as alegrias e tristezas compartilhadas, as brigas, os sorrisos, as bebidas e porções, os sábados e domingos, os feriados, as panquecas, as palavras de amor, os pés roçando uns nos outros, os abraços, os beijos, o cheiro, tudo o que eu amava vai passar.
Um dia acordarei e não terá mais nada guardado que eu queira compartilhar, nem dor no peito que eu queira aliviar. Porque dor e sofrimento acabam rápido. E com eles, tudo o que os causou, por melhor que tenha sido.
Por mais que eu queira guardar tudo em um lugar seguro, dentro de mim, e esperar até que tudo possa voltar ao que era antes, não posso impedir que o meu coração se cure, que as feridas se fechem ou que as lembranças virem pó.
É inevitável e está acontecendo neste instante, enquanto eu escrevo para que a pessoa mais importante não leia. Não vai ler, não vai saber e, em pouco tempo, sequer vai existir para mim.
É estranho assistir aos últimos suspiros de um sentimento e não ter como salvá-lo, ou não ter por que tentar.
E o tempo é essa coisa que eu sempre soube que influenciaria, sempre cuidei para que estivessemos juntos na hora certa. Falhei por brincar de tomar decisões quando não estava preparada e, mais tarde eu saberia, nem você.
Hoje o tempo cobra. Ele cobra maturidade, perseverança, bom senso, respeito e segurança em cada passo que dou, entre outras coisas que não vou saber citar agora. Ele cobra, acima de tudo, as consequencias de um ato certo feito na hora errada.
Em troca, leva tudo o que passou, tudo o que foi bonito, aquilo que levou tanto tempo para ser construído. Ele tira de mim, de nós.
E as pessoas insistem em dizer que vai passar, como se isso fosse um alívio.
Texto escrito em meados de outubro ou novembro, não lembro bem.
Enquanto os ponteiros do relógio giram, os dias vão embora e as semanas se transformam em meses, tudo o que aconteceu vai ficando no passado. E dói. Dói porque em pouco tempo não vai mais ter dor, nem saudade e nem vontade de voltar. Porque, como eles dizem, vai passar.
E aí toda a história, todos os momentos, as músicas, as alegrias e tristezas compartilhadas, as brigas, os sorrisos, as bebidas e porções, os sábados e domingos, os feriados, as panquecas, as palavras de amor, os pés roçando uns nos outros, os abraços, os beijos, o cheiro, tudo o que eu amava vai passar.
Um dia acordarei e não terá mais nada guardado que eu queira compartilhar, nem dor no peito que eu queira aliviar. Porque dor e sofrimento acabam rápido. E com eles, tudo o que os causou, por melhor que tenha sido.
Por mais que eu queira guardar tudo em um lugar seguro, dentro de mim, e esperar até que tudo possa voltar ao que era antes, não posso impedir que o meu coração se cure, que as feridas se fechem ou que as lembranças virem pó.
É inevitável e está acontecendo neste instante, enquanto eu escrevo para que a pessoa mais importante não leia. Não vai ler, não vai saber e, em pouco tempo, sequer vai existir para mim.
É estranho assistir aos últimos suspiros de um sentimento e não ter como salvá-lo, ou não ter por que tentar.
E o tempo é essa coisa que eu sempre soube que influenciaria, sempre cuidei para que estivessemos juntos na hora certa. Falhei por brincar de tomar decisões quando não estava preparada e, mais tarde eu saberia, nem você.
Hoje o tempo cobra. Ele cobra maturidade, perseverança, bom senso, respeito e segurança em cada passo que dou, entre outras coisas que não vou saber citar agora. Ele cobra, acima de tudo, as consequencias de um ato certo feito na hora errada.
Em troca, leva tudo o que passou, tudo o que foi bonito, aquilo que levou tanto tempo para ser construído. Ele tira de mim, de nós.
E as pessoas insistem em dizer que vai passar, como se isso fosse um alívio.
Texto escrito em meados de outubro ou novembro, não lembro bem.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Amanheceu
Se fosse um conto do Caio Fernando Abreu, ele descreveria mais ou menos assim: calor, saliva e suor.
A poesia viria em forma de carinho no braço, ou quando ele para pra tirar um fio que teima em cair em seu rosto, ou quando fala qualquer coisa com voz de menino. Pede, com voz de menino. E aí você atende.
“Saliva, suor e calor", diria Caio Fernando Abreu, que entendia de amores intensos, os que acabam e os que acabam de começar.
Ela andou falando tanto com Caio que por um momento acreditou ter se tornado mais um de seus personagens. Bobagem! Essa é a vida real batendo à porta e mandando que aproveite.
E a vida você não ignora, você vive.
“Então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para liberar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim”
Caio Fernando Abreu; Os dragões não conhecem o paraíso
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