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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Com limão, açúcar, cachaça e afeto



A vida é feita de ciclos e quando um deles acaba para outro começar é quase sempre barulhento, confuso e doloroso. Dessa vez, o fim ao menos foi rápido. Fiquei sabendo que meu bar favorito fecharia duas ou três semanas antes dele realmente ser fechado e, desde então, um sentimento saudosista tomou conta de mim.

Foi pouco mais de dois anos de atividade, mas o  suficiente para ser palco de alguns dos melhores momentos dos meus vinte e poucos anos. Reencontrei antigos amigos e amores, conheci pessoas especiais demais, fortaleci laços, ouvi e contei histórias. 

Aos poucos, esse bar acabou se tornando o quintal da minha casa e da casa dos meus amigos. Por mais que eu visitasse o lugar de quarta a domingo, jamais me cansei ou me entendiei dele. Para mim, um dos únicos refúgios onde eu podia ouvir boa música - na maioria das vezes -, conversar com as pessoas que gosto e tomar a caipirinha mais deliciosa de maracujá e limão por módicos onze reais. Eu não precisava de mais nada!

Mas, infelizmente ou felizmente, os donos precisaram de mais, de novos horizontes, de outros desafios. E, para isso, tiveram que fechar nosso tão amado Esquenta.

Na sexta-feira passada aconteceu o último evento do bar. Eu não fui porque tive festa da empresa, mas recebi fotos que mostravam quão abarrotado estava o lugar, mesmo em meio à chuva torrencial que caía em Osasco. Todos os frequentadores que puderam foram dar o último adeus, mesmo que breve.

Nada me faz acreditar que esse seja apenas um "até logo", mas como consolo, espero que a vida traga outros bares legais perto de casa, nos quais eu possa sentar numa quarta-feira a noite e reclamar do quão dura a vida tem sido; ou ser servida de uma caipirinha no sábado às 8 da noite, enquanto espero minhas amigas para nossa próxima aventura.

Não posso deixar de agradecer ao Fidel e à Alê por todas as conversas, drinks e o atendimento sempre caprichado. Sentiremos saudades, mas também torcemos para que o futuro seja generoso com vocês dois.

Obrigada!

P.S.: A foto que ilustra esse post é da primeira caipirinha que tomei no Esquenta #sdds

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Carta Aberta Para Agosto

Querido Agosto,

hoje senti a necessidade de agradecer o seu sempre amigo período de trinta e um dias. Este ano, como todos os outros dos quais tenho lembrança - e vamos fingir, pela nossa amizade, que não são apenas os três últimos de todos os que já vivi - você foi calmo, delicado, gentil. Trouxe algumas tristezas e bastante alegrias. Em 2011, inclusive, nem o frio pesou tanto como era comum.

A essa altura, imagino que você estava me preparando para as complicações de Setembro e Outubro, esses sim uns meses danados! Não que seja minha intenção desmerecê-los, muito pelo contrário, acredito que houve sempre coisas boas para cada um deles, apenas não me lembro no momento.

Caio Fernando Abreu uma vez escreveu Sugestões Para Atravessar Agosto, mas não acho que tenha sido ele o primeiro a te olhar com desconfiança. Devo até dizer que, em algum momento, você pecou. Não sei se pelo frio, não sei se pela posição da lua, mas acho que alguma coisa aconteceu, assim, sem que você percebesse, para atrair tamanha descrença. Não fique triste, muitas vezes erramos sem notar, só percebemos quando as pessoas passam a se afastar de nós, tornando os equívocos mais aparentes. E quem não erra, não é verdade?

Agosto que te quero bem, por mais que as pessoas façam piada, brinquem que você é ruim, traz confusão, leva amores, traz dores, quero... ou melhor, preciso... eu preciso que saiba: todo mês pode ser melhor, se a gente quiser. Você querendo daí, a gente querendo daqui e vai dar tudo certo. Quando tiver chuva, vai ter chá quentinho, abraço de amiga (ou namorado, quem sabe?), cobertores macios. E quando for calor, vai ter risada alta, piscina, coca-cola gelada. Os dias vão ser cheios e as noites agitadas, exceto quando a gente precisar de silêncio, aí é só dar um céu bonito para ser contemplado.

E pronto, o mês passou. Logo passa o ano, a vida toda, como filme.

Vou encerrando minha carta aqui, espero que tenha tempo para ler e tempo para refletir, que é a parte mais importante.

Amo você como amo Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro e a vida. Ela toda, mesmo quando não tá tão bom assim.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carta aberta

Você deve estar se perguntando como é para mim, saber que você está de volta na minha vida, aliás, na dele.

Vamos deixar uma coisa clara aqui: eu sequer te conheço.

É verdade que nos vimos duas ou três vezes há uns anos atrás. Acho que chegamos até a nos cumprimentar, mas não vem ao caso. O máximo que eu sei... aliás, sejamos justas, o máximo que consigo interpretar de você, de acordo com o que ouvi dizerem, é que você é uma garota mimada, ciumenta, estressada e confusa. Eu posso ser um pouco de cada uma dessas coisas, dependendo do meu estado de humor, o que poderia causar uma simpatia em algum momento, embora isso nunca tenha acontecido.

Desculpe, não sei ir direto ao ponto.

Há alguns meses atrás, na verdade, enquanto tentava ignorar o fato de ter alguém 24 horas por dia, sete dias por semana, tentando estragar aquilo que era bom, eu me perguntava se não seria melhor que você estivesse próxima, me odiando, ao invés dessa pessoa. Muitas vezes cheguei à conclusão que sim, seria melhor. E então veio a notícia. Vocês se viram e se acertaram e eu deveria estar feliz.

No fundo, fiquei contente. Inventei algumas conversas entre nós e as maquiei com desculpas, fatos engraçados daquela época em que não nos falávamos, mas sabíamos muito uma da outra, brincadeiras entre nós duas e entre nós três.

Juro, tantas vezes tive o impulso de te adicionar no twitter ou no facebook, de me aproximar, de mostrar que eu não sou nada daquilo o que você provavelmente acha que sou. E, ao mesmo tempo, desejava descobrir que você também poderia ser engraçada, divertida e compreensiva quando quer ou com quem gosta. Cheguei a desejar que você gostasse de mim. Hoje isso parece besteira para mim e minha única certeza é a de que você continua me odiando. Bom, eu não me lembro de ter dado motivos para o contrário, então está ok.

Desta forma, eu continuo minha vida. Às vezes, finjo que você não existe. Outras vezes, não tem como, eu preferia que você tivesse explodido nesses anos que passaram. Também tenho meus momentos de "tudo poderia ser diferente", é claro. No fundo, seria melhor te encarar logo, mas quando? Eu não sei. Não vou dar primeiros passos para algo que pode me levar a lugar nenhum. Eu espero que essa oportunidade apareça, mais cedo ou mais tarde. Espero que você se arrependa de cada palavra torta sobre mim, de cada briguinha à distância, desses anos todos tentando me afastar.

Sinceramente,

a última pessoa no mundo que você gostaria de ver ao lado dele.

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