Eu não estou acostumada a aventuras assim. Ainda me pergunto como foi possível viver tanto, em tão pouco tempo!
Eu
não estava acostumada a ceder rapidamente, à intensidade, aos
cabelos enrolados que eu enroscava em meus dedos, às marcas quadradinhas
do cobertor em minha pele.
Tão atrapalhados que somos, vivíamos a nos interromper, falando ao
mesmo tempo, discordando discretamente, pensando mil vezes antes de
falar e preferindo calar na maioria das vezes.
Nada em comum, tudo incomum.
Como um furacão, você passou e foi embora. Foi para que tomassem seu
lugar, para que eu pudesse finalmente me sentir feliz, sem nenhuma
dúvida do que viria pela frente. E, que pena, nada aconteceu como
pensei. As dúvidas não acabaram, a dor se intensificou. Nunca consegui
me sentir completa. Nunca consegui perdoar. Talvez a culpa seja minha e
só minha. Eu não coloco em dúvida minha parcela de culpa neste caso,
para ser sincera. Apenas tento não me afundar em um poço de
autodestruição.
Por que escrevo isso agora? Nem eu sei.
Talvez porque eu
tenho saudade. Não tanto quanto antes, é verdade. Mas ainda sinto
saudade. Talvez porque sonhei a noite inteira com você. Foi assim: te
encontrei no meio de um supermercado escuro e grande. Esqueci as compras
corri ao seu encontro pedi desculpas não lembro se te beijei. Foi bom.
Seu sorriso fez bem, mas acordei com o mesmo peso no coração, a mesma
falta de ar, os mesmo motivos de ontem para tanto insistir quanto
desistir.
Talvez aquela tenha sido a única vez em que não me preocupei com o
que os outros pensariam de mim. E eu quero viver tudo de novo. Quero a
companhia, a preocupação, o carinho, as ligações que melhoravam meus
piores dias, a ansiedade para brincar de se amar só por um final de
semana, até que a gente se falaria na quarta-feira seguinte para
combinar o sábado próximo. E eu prometo que não vou me perder.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Amanheceu
Se fosse um conto do Caio Fernando Abreu, ele descreveria mais ou menos assim: calor, saliva e suor.
A poesia viria em forma de carinho no braço, ou quando ele para pra tirar um fio que teima em cair em seu rosto, ou quando fala qualquer coisa com voz de menino. Pede, com voz de menino. E aí você atende.
“Saliva, suor e calor", diria Caio Fernando Abreu, que entendia de amores intensos, os que acabam e os que acabam de começar.
Ela andou falando tanto com Caio que por um momento acreditou ter se tornado mais um de seus personagens. Bobagem! Essa é a vida real batendo à porta e mandando que aproveite.
E a vida você não ignora, você vive.
“Então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para liberar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim”
Caio Fernando Abreu; Os dragões não conhecem o paraíso
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Carta aberta
Você deve estar se perguntando como é para mim, saber que você está de volta na minha vida, aliás, na dele.
Vamos deixar uma coisa clara aqui: eu sequer te conheço.
É verdade que nos vimos duas ou três vezes há uns anos atrás. Acho que chegamos até a nos cumprimentar, mas não vem ao caso. O máximo que eu sei... aliás, sejamos justas, o máximo que consigo interpretar de você, de acordo com o que ouvi dizerem, é que você é uma garota mimada, ciumenta, estressada e confusa. Eu posso ser um pouco de cada uma dessas coisas, dependendo do meu estado de humor, o que poderia causar uma simpatia em algum momento, embora isso nunca tenha acontecido.
Desculpe, não sei ir direto ao ponto.
Há alguns meses atrás, na verdade, enquanto tentava ignorar o fato de ter alguém 24 horas por dia, sete dias por semana, tentando estragar aquilo que era bom, eu me perguntava se não seria melhor que você estivesse próxima, me odiando, ao invés dessa pessoa. Muitas vezes cheguei à conclusão que sim, seria melhor. E então veio a notícia. Vocês se viram e se acertaram e eu deveria estar feliz.
No fundo, fiquei contente. Inventei algumas conversas entre nós e as maquiei com desculpas, fatos engraçados daquela época em que não nos falávamos, mas sabíamos muito uma da outra, brincadeiras entre nós duas e entre nós três.
Juro, tantas vezes tive o impulso de te adicionar no twitter ou no facebook, de me aproximar, de mostrar que eu não sou nada daquilo o que você provavelmente acha que sou. E, ao mesmo tempo, desejava descobrir que você também poderia ser engraçada, divertida e compreensiva quando quer ou com quem gosta. Cheguei a desejar que você gostasse de mim. Hoje isso parece besteira para mim e minha única certeza é a de que você continua me odiando. Bom, eu não me lembro de ter dado motivos para o contrário, então está ok.
Desta forma, eu continuo minha vida. Às vezes, finjo que você não existe. Outras vezes, não tem como, eu preferia que você tivesse explodido nesses anos que passaram. Também tenho meus momentos de "tudo poderia ser diferente", é claro. No fundo, seria melhor te encarar logo, mas quando? Eu não sei. Não vou dar primeiros passos para algo que pode me levar a lugar nenhum. Eu espero que essa oportunidade apareça, mais cedo ou mais tarde. Espero que você se arrependa de cada palavra torta sobre mim, de cada briguinha à distância, desses anos todos tentando me afastar.
Sinceramente,
a última pessoa no mundo que você gostaria de ver ao lado dele.
Vamos deixar uma coisa clara aqui: eu sequer te conheço.
É verdade que nos vimos duas ou três vezes há uns anos atrás. Acho que chegamos até a nos cumprimentar, mas não vem ao caso. O máximo que eu sei... aliás, sejamos justas, o máximo que consigo interpretar de você, de acordo com o que ouvi dizerem, é que você é uma garota mimada, ciumenta, estressada e confusa. Eu posso ser um pouco de cada uma dessas coisas, dependendo do meu estado de humor, o que poderia causar uma simpatia em algum momento, embora isso nunca tenha acontecido.
Desculpe, não sei ir direto ao ponto.
Há alguns meses atrás, na verdade, enquanto tentava ignorar o fato de ter alguém 24 horas por dia, sete dias por semana, tentando estragar aquilo que era bom, eu me perguntava se não seria melhor que você estivesse próxima, me odiando, ao invés dessa pessoa. Muitas vezes cheguei à conclusão que sim, seria melhor. E então veio a notícia. Vocês se viram e se acertaram e eu deveria estar feliz.
No fundo, fiquei contente. Inventei algumas conversas entre nós e as maquiei com desculpas, fatos engraçados daquela época em que não nos falávamos, mas sabíamos muito uma da outra, brincadeiras entre nós duas e entre nós três.
Juro, tantas vezes tive o impulso de te adicionar no twitter ou no facebook, de me aproximar, de mostrar que eu não sou nada daquilo o que você provavelmente acha que sou. E, ao mesmo tempo, desejava descobrir que você também poderia ser engraçada, divertida e compreensiva quando quer ou com quem gosta. Cheguei a desejar que você gostasse de mim. Hoje isso parece besteira para mim e minha única certeza é a de que você continua me odiando. Bom, eu não me lembro de ter dado motivos para o contrário, então está ok.
Desta forma, eu continuo minha vida. Às vezes, finjo que você não existe. Outras vezes, não tem como, eu preferia que você tivesse explodido nesses anos que passaram. Também tenho meus momentos de "tudo poderia ser diferente", é claro. No fundo, seria melhor te encarar logo, mas quando? Eu não sei. Não vou dar primeiros passos para algo que pode me levar a lugar nenhum. Eu espero que essa oportunidade apareça, mais cedo ou mais tarde. Espero que você se arrependa de cada palavra torta sobre mim, de cada briguinha à distância, desses anos todos tentando me afastar.
Sinceramente,
a última pessoa no mundo que você gostaria de ver ao lado dele.
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